Capítulo #12 - Tudo o que criei me criou
Às vezes, eu penso nas coisas que fiz, nas palavras que escrevi, nas roupas que inventei, nas ideias que transformei em forma. E percebo que cada uma delas me moldou de volta.
Criei personagens e vi neles fragmentos meus. Costurei tecidos como quem refaz a própria pele. Desenhei caminhos que, no fundo, estavam me desenhando também.
Criar não é só trazer algo ao mundo, é também se deixar atravessar por ele. É um processo de ida e volta, onde a obra escava o criador e revela o que antes estava escondido. A cada música, a cada imagem, a cada escolha, eu me reconheço um pouco mais. Ou me reinvento, sem nem perceber.
A criação me exige entrega. Me rasga, me refaz, me move. Me obriga a confrontar o que ainda dói e também o que pulsa de verdade. Nada do que criei saiu de mim impunemente. Tudo, absolutamente tudo, me transformou.
Talvez seja esse o verdadeiro mistério de criar: a gente começa achando que está construindo algo lá fora e termina percebendo que, na verdade, era por dentro que tudo estava acontecendo.
Criar foi, e ainda é, o meu jeito de nascer de novo.
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