Capítulo #4 - We Wear Black Because We Feel Everything
Hoje me peguei pensando por que o preto sempre me coube tão bem. Não só na roupa, mas na alma. O preto é mais do que só uma cor. É como um estado de espírito.
Tem gente que acha que é ausência, mas eu sinto exatamente o oposto. Pra mim, o preto é quando tudo dentro da gente grita ao mesmo tempo e não cabe em palavra nenhuma.
É quando a emoção vira silêncio e fica pesado. Quando o mundo parece alto demais e a gente só quer existir em paz. É como se o preto dissesse: “eu tô aqui, sentindo tudo, mas no meu tempo”. No meu escuro.
Tem dias que viver parece demais e não no sentido trágico, mas no sentido de ser atravessada por tudo, até pelo que eu não entendo.
Talvez seja por isso que eu me identifico tanto com o inverno, com as noites longas, com o silêncio das coisas que ainda estão se transformando. Eu acho bonito esse espaço entre a queda e o renascimento, esse intervalo onde a dor ainda não virou poesia, mas já não é só dor.
O preto é esse intervalo. É esse lugar que ninguém quer habitar, mas que guarda uma potência absurda.
A gente aprendeu que precisava ser luz o tempo todo. Sorrir, produzir, responder. Mas o preto me ensinou que não. Que ser sombra também é ser, que recolher também é crescer e que sentir demais não é fraqueza, muito pelo contrário, é força em forma bruta.
Eu acho que é por isso que o preto me cai tão bem. É como se eu tivesse honrando aquilo que sinto, mesmo quando não sei explicar.Então, sim, a gente veste preto porque sente tudo!


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