Capítulo #5 - Beauty Is Born in the Breakdown
Tem dias em que tudo quebra. Os planos, as certezas, a imagem que a gente fazia de si. E por mais que a gente tente se manter inteira, às vezes tudo que conseguimos é desabar.
Mas é no meio do colapso que alguma coisa acontece. Algo se abre.
Talvez porque, quando tudo cai, o que sobra é verdade. Sem disfarce, sem controle, sem filtro. Só a gente com tudo o que estamos sentindo.
E é aí que mora a beleza que ninguém vê. É naquela fenda que se abre no peito, no vazio que dá medo, que também se abre um espaço. Espaço pra criar.
A arte nasce desse caos. Não da perfeição, mas da rachadura, da quebra.
Já me peguei chorando no chão e pensando em como colocar aquilo numa música. Ou tentando transformar em imagem o que eu nem sabia nomear. Porque, às vezes, é isso:
a gente precisa transformar a dor em arte pra ela não nos engolir.
É como se cada lágrima virasse tinta. Cada grito preso, uma batida de tambor. Cada silêncio, uma pausa carregada de sentido.
Não é bonito no começo. É bagunçado, bruto, esquisito. Mas é real.
E é desse lugar que vem o que me toca de verdade. Porque o que nasce do caos carrega o sagrado da sobrevivência. Carrega a coragem de quem, mesmo partido, ainda escolhe sentir. Ainda escolhe criar.
E nesse espaço entre o que quebra e o que floresce, eu me encontro.
A beleza, às vezes, só nasce depois da queda.Ou talvez…
a queda seja o próprio nascimento da beleza.


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