Capítulo #7 - Dress to Disturb. Fabric of a Revolution
Tem roupa que não veste. Ela grita. Incomoda. Desloca o olhar de quem achou que te tinha entendido.
Porque o que a gente veste é uma linguagem. É código. É uma ruptura. É uma forma de dizer “eu não aceito”, “Eu não sou o que você espera que eu seja.”
A moda, pra mim, nunca foi sobre tendência. Foi sempre sobre presença. Presença política. Estética. Existencial.
Cada peça que escolho é como uma faixa de protesto sobre o corpo. Uma costura que desafia a ordem das coisas. Um manifesto silencioso que o mundo é obrigado a ler com os olhos — e às vezes, com incômodo.
Tem uma personagem que sempre me atravessou feito lâmina: Cruella de Vil. Não por ser vilã, mas por transformar dor em estética, e ousadia em identidade.
Uma vez, eu ouvi ela dizer como quem atira uma ideia incendiária no meio da sala:
“I like to make an impact.”
E eu entendi. A moda pode ser a faísca que incendeia uma estrutura inteira. Não se trata de vaidade, mas de presença. De entrar numa sala e deixar rastro. De mostrar que estilo também é insubmissão. E que o tecido pode carregar a alma de uma revolução.
Não me visto pra agradar. Me visto pra lembrar que ainda estou viva. Que meu corpo é um território de resistência. E que a moda pode ser espada, armadura ou poesia — depende de como você decide usar.
“Dress to impress” nunca fez sentido pra mim. Eu visto pra perturbar. Pra provocar. Pra chamar pra conversa quem queria passar batido. Pra lembrar que estilo também é revolução. E que uma camiseta rasgada pode dizer mais que mil discursos prontos.
A gente costura revoluções com linha, dor, e muito coração. Porque, no fim, se a arte é arma, a roupa é munição.

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