Capítulo #8 - O Tempo Não É Linear
Às vezes eu me sinto atrasada, como se o mundo corresse numa linha reta e eu, num labirinto. Mas aí eu respiro fundo e me lembro: o tempo não é régua, não é cronômetro, não é escada.
O tempo é espiral. Feito de voltas, recomeços e silenciosas germinações.
Enquanto dizem “corre, você tá ficando pra trás”, eu aprendi a ouvir outro compasso.
O compasso do meu corpo, do meu coração, da minha alma. Do que pulsa aqui dentro de mim, mesmo quando lá fora tudo exige pressa.
A criação também não acontece no tempo do relógio. Ela vem quando o caos encontra espaço. Quando o silêncio tem coragem de falar. Quando o mundo desaba e, do meio da ruína, nasce uma nova ideia.
Existe um tempo que não cabe nos calendários. Os gregos chamavam de Kairós — o tempo do sentir, o tempo do instante certo, aquele que não pode ser forçado. Não é o tempo de Chronos, do relógio, da cobrança, da produtividade medida.
Kairós é o tempo do coração, do insight, do milagre. É o tempo que a criação respeita, que o corpo entende, que a alma pede em silêncio.
Ser rebelde também é isso: recusar o tempo que oprime. Honrar os ciclos, os vazios, o intervalo entre o antes e o agora. E confiar.
Confiar que mesmo nos momentos em que “nada está acontecendo”, muita coisa está se movendo.
Porque viver é desobedecer o tempo imposto. É florescer fora de estação. É lembrar que toda primavera nasce de um longo inverno.
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