Capítulo #11 - Rebelar-se é Recordar-se

 Nem toda rebeldia grita.

Às vezes, ela sussurra pelos ossos, pelo sangue. Vem de longe, de dentro, de antes. É a memória daquilo que fomos. E também daquilo que não pudemos ser.

Rebelar-se, pra mim, é lembrar. Lembrar de si e lembrar dos caminhos que abriram o chão que pisamos hoje.
Das mãos que costuraram o tecido da nossa existência. Dos nomes que quase se perderam, das histórias contadas baixinho pra não despertar o medo. É honrar sem se curvar. É seguir sem esquecer.

Tem coisa que a gente precisa romper. Ciclos, silêncios, ausências herdadas. E romper também é uma forma de honrar — porque é dizer: “Eu existo. Eu vejo. E eu escolho diferente.”

A rebeldia que carrego não é só minha. Ela feita de vozes que vieram antes, que não puderam falar. É feita de danças que foram proibidas, de roupas que foram julgadas, de sonhos que foram adiados por medo ou por imposição.

E agora, cada vez que crio, me visto ou me exponho, é como se eu estivesse abrindo um portal entre o que veio antes e o que ainda será. A criação é o meu ritual de lembrança e arte, a minha oferenda.

Rebelar-se é isso. É olhar pra trás com olhos de quem ama e seguir em frente com pés que não aceitam algemas.

Porque a verdadeira revolução começa quando a gente se lembra de quem é.


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